30/07/2014

Doce de Pêra



Tinha 4 pêras engelhadas, murchas e esquecidas, um bocadinho como o nosso amor está, consequência da maternidade, consequência da difícil gravidez do V., não há receita para um casamento perfeito, mas os filhos são certamente ingredientes que nem sempre o vêm apaladar ou apurar.

Há muito tempo que não lhe oferecia nada, ofereci-lhe um presente feito por mim, simples mas cheio de amor, fiz-lhe um doce, um doce com aquela que considero a fruta do amor, doce, suculenta, granulada, suave, macia e por vezes sensível ao toque.

Juntei um recado, não posso dizer o que estava escrito, apenas conto que acabei a dizer que o amava, perdi a conta aos dias que já não o fazia, não gosto de ser azeda, gosto de me entregar, não faz sentido de outra forma.

Vou tentar que não se repita, vou tentar não deixar andar, vou tentar alimentar este amor, vou tentar engorda-lo novamente, não me importo que seja obeso.

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29/07/2014

Mãe Real me assumo!



O despertador toca, sou profissional liberal não há horários, viro-me para o lado descansada,estava a sonhar, adormeci e já estou atrasada, levanto-me mal disposta, com sono, remelenta e descabelada, já estou mesmo atrasada, só há tempo para um duche rápido já não consigo lavar o cabelo, nada de caracóis definidos ou um cabelo impecavelmente esticado, carrapito no alto da cabeça e está óptimo, visto-me, tento disfarçar as olheiras e sigo para a cozinha, preparar biberons, almoços e lanches e pelo meio tomo o pequeno almoço a prestações, vou acordá-lo também está mal disposto, digo-lhe para despachar um que eu despacho outro, vira-se para o lado diz que também tem que ter tempo para se arranjar, vou tentar dar conta do recado sozinha, acordo a M., dou-lhe o leite, mudo a fralda, visto-a e instala-se uma birra gigante porque não se quer despir, igual todos os dias, acordo o V., dou-lhe o leite e visto-o, o barulho que vem da sala é idêntico a uma martelo pneumático a partir a parede, deixo o V. na sala na espreguiçadeira ao lado de um sem fim de brinquedos espalhados por todo o lado, o A. entretanto aparece impecável, todo cheiroso, com o cabelo perfeitamente penteado, discussão matinal porque devia ter-se levantado para me ajudar, calço-me, olho-me ao espelho e nem estou assim tão mal, estes sapatos de salto alto ficam mesmo bem neste vestido, lembro-me das escadas da escola, tiro os saltos altos, calço umas sabrinas, deixo os sacos de cada um à porta, distribuo 3 beijos, ele bolsa-me o vestido, passo um Dodot não há tempo para mais e sigo para o trabalho, não há transito, acordada há duas horas e já vou atrasada, encontro lugar para estacionar, fila para o elevador, carrego no 11º piso, fila para picar o ponto, já passa das 9h e finalmente sento-me à secretária, um sem fim de emails, um telefone que não pára, um devedor que é uma soda, prazos a expirar e julgamentos sem fim, almoço a correr para ter um bocadinho de tempo para mim, vou pintar as unhas, dou atenção a este meu filho, vou fazer umas compras para o jantar e algumas coisas que faltam para eles, felizmente que trabalho por cima de um centro comercial, já vou outra vez a correr para cima, 1 hora não dá para nada, vou à casa de banho, olho para o relógio para confirmar as horas, são 14h a cara do espelho apresenta no mínimo umas 22h, a tarde passa num ápice queria despachar hoje o prazo de amanhã para estar mais desafogada mas já não consigo por causa da reunião de última hora, os objectivos não estão a ser cumpridos, tenho que pressionar se não quero ser pressionada, 18h está na hora de sair, às 18h30 pico o ponto, a escola fecha às 19h vou a voar 2ª circular fora, está calor, está frio, está a chover, está a nevar, raios partam que qualquer que seja o motivo tem trânsito, chego à escola faltam 5 minutos para as 19h, ela abraça-me feliz de me ver, ele sorri-me e estica os braços, ele de um lado dentro do sling, ela do outro porque insiste que também quer colo, benditas sabrinas para conseguir descer as escadas com dois ao colo, chegamos a casa, tropeço nos brinquedos espalhados, ai se eu tivesse com os saltos altos, banhos, despacho-a a ela e ele fica na espreguiçadeira a ver tv, ela chora porque não quer sair do banho, o A. chega e vai preparando os jantares, o A. dá jantar à M., eu dou banho ao V. a M. chora porque quer que seja eu a dar a sopa, trocamos as posições, o V. também já está a jantar, tentamos dar-lhes alguma atenção antes de irem para a cama, jogar um jogo, cantar uma canção, ela não quer que ele brinque com os seus brinquedos, ele puxa-lhe os cabelos, eu encho-os de beijos e abraços, eles vão para a cama depois de chorarem porque não queriam ir, ainda não jantamos, discutimos outra vez à hora de jantar por qualquer coisa banal e sem importância, arrumo a cozinha, ele pede-me desculpa, já está a saltar o verniz das unhas pintadas à hora de almoço, estendo roupa, passo roupa, eu dou-lhe um bj e um abraço também em jeito de desculpa, preparo o dia seguinte, roupas e comidas, sopa para os miúdos, a bimby não descasca legumes, é meia noite está na hora de dormir, passo pelo sofá como quem passa na casa de partida do monopólio sem receber os 2 contos, ronda aos quartos para vê-los, beijo ao A. de noite feliz, passado duas horas a M. chora perdeu a chucha, ele encosta-se a mim e põe-me o braço na cintura, passado uma hora o V. chora quer leite, agora vais lá tu, não eu fui há um bocado é a tua vez, eu afasto-me dele, passado duas horas a M. também quer leite, foi uma noite difícil a dormir mal e pouco, o despertador toca, acordo mal disposta ....

Vai ser tão isto! A partir de Outubro numa casa perto de si! 

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28/07/2014

Amargos da Vida



Sábado pela 1ª vez senti o sabor amargo da emigração.

Os meus avós maternos foram emigrantes durante anos, vinham no verão vinham no Natal e quando partiam era-me difícil apesar da minha tenra idade, mas não tinha noção do verdadeiro significado daquela vida, do verdadeiro sentimento de quem ia e quem ficava.

Mas sábado foi diferente, assisti e senti, mas agora no papel de mãe.

Um pai que foi, um filho que ficou, um filho que faz 10 anos e um pai que não está.

No meio um Skipe, que faz com que de um lado exista um pai, quatro paredes e um simples telemóvel e do outro lado um filho com uma festa, um bolo, um cantar de parabéns, familiares e amigos para o ajudar a apagar as velas, um filho que precisa de apenas um único sopro para apagar as suas 10 velas, um filho que trocava todos aqueles amigos, toda aquela festa por um só pessoa, o pai!

Por Aquele que foi em busca de uma vida melhor para os dois.

Respeito, muito respeito os corajosos que vão e deixam quem mais importa, que deixam quem os motiva a partir.

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26/07/2014

Avós






Há dias e dias, hoje é dia daqueles que nos marcam a Vida, que nos marcam a personalidade, que nos ensinam, que nos mimam como ninguém, que nos transmitem valores e ensinamentos, que são um bocadinho responsáveis por aquilo que somos, por aquilo que nos tornamos. 

À medida que fui crescendo fui dando cada vez mais valor aos meus avós, um amor que foi crescendo à medida que eu ia crescendo, um amor que ainda cresce a cada dia, um sentimento de protecção que agora a mim me compete, o jogo dos papéis trocados. 

Tive a sorte de ter um avó materno exímio em cultivar laços afectivos, foi ele o primeiro desgosto da minha vida quando partiu. 

Tenho a sorte de ter uma avó materna que me põe à frente dos filhos, que gosta de mim incondicionalmente e que exibe agora orgulhosa o papel de bisavó. 

Dei a oportunidade aos meus pais de serem também avós, observo-os agora, também eles orgulhosos, dedicados e apaixonados pelos frutos do seu fruto.

São tantas e boas as lembranças que guardo dos meus avós, não preciso de um dia especifico para os lembrar. 

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25/07/2014

O tempo






... esse bandido que teima em passar rápido, esse bem precioso que nunca é demais, faz-vos crescer a uma velocidade que a minha cabeça e peito não conseguem acompanhar, foram, são e serão sempre os meus bebés.

De modo egoístico desejo tantas vezes voltar a ter-vos só para mim, dentro de mim, onde os sinto só meus, onde sinto o que mais ninguém consegue sentir.

O tempo esse que tatua a minha vida, que vos tatuou em mim, tatuagens sem dor, com cores que por muito tempo que passe nunca vão desbotar.

O tempo carregado de aliados que tenho de enfrentar, os anos, os meses, semanas, dias, horas e segundos que tenho que aproveitar milimetricamente para que nada me escape, para que nada perca de vocês, de nós, do tempo!

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23/07/2014

O meu mundo

A Catarina esteve cá em casa.

Num simples click captou o meu mundo, ELES, os 3! 

O resto da sessão AQUI


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2 Meses de Baby V.

Ontem baby V. fez 2 meses...

mas como é que já passaram 2 meses? 

O tempo voa... 

se pudesse cortava-lhe as asas! 



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21/07/2014

4 meses de blogue

Já passaram 4 meses... 

parece que foi ontem que do nada tomei coragem de dar o passo de fazer nascer este que também chamo de meu bebé, não nasceu da barriga mas nasceu da cabeça. 

Hoje é dia de festejar a dobrar, festejar os 4 meses do blogue e festejar o facto de ter sabido hoje que finalmente estou livre da bandida da Enterobacter cloacae, foi persistente mas eu fui mais resistente :-) 

Hoje fui lá a casa, vou ter que ir todos os dias desta semana, pensava que estava livre mas ainda me falta mais uma série de exames.

Devolveram-me a chave, mas já me avisaram que lá para Setembro a terei de entregar novamente e ai sim vai ser definitivo :-) 

Obrigada a quem gosta de ler as simples palavras que escrevo.

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18/07/2014

As estranhas coincidências

estranho | adj. | s. m. | s. m. pl.
1ª pess. sing. pres. ind. de estranhar

es·tra·nho 
adjectivo
1. Estrangeiro.
2. Desconhecido.
3. Alheio.
4. Singular.
5. Extraordinário.
6. Esquisito.
7. Anormal, desusado.
8. Excessivo.
9. Repreensível.
10. Esquivo.
11. Não afeito, não habituado.

"estranho", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, http://www.priberam.pt/dlpo/estranho



Não conhecia a Filipa Fonseca Silva, "conheci-a" ontem, já sei que foi a primeira autora portuguesa a chegar ao TOP 100 da Amazon, o que merece um grande UAUUUUUU.

Estava ontem na montra da Bertrand, fiquei fixa a olhar para a capa durante um bom bocado, olhei para o A., ele olhou para mim e não precisamos de dizer nada um ao outro, esta podia ser sem duvida uma capa minha, uma capa para mim, uma capa de um livro que nunca escreverei. 

Durante minutos fiquei a pensar qual será o conteúdo daquele livro, fiquei e estou curiosa, quem será esta Vanessa M.? qual será a história desta Vanessa M., será uma história como a minha? Que apesar de estranha é cheia de amor, que apesar de difícil é cheia de garra e bem resolvida, que apesar de tudo é feliz, muito feliz. 


17/07/2014

Resultado do Desafio Culinário

Lembram-se do desafio culinário

Na altura do desafio estava com diabetes gestacionais, não podia comer nada com açúcar e desafiei a Ana para fazer uma receita à altura e o resultado foi este: 


Cupcakes de Laranja


Fotos da A. do Sem Espinhas


Felizmente os diabetes foram apenas gestacionais, agora é tempo de recuperar o tempo perdido e comer TUDO o que me apetece :-) no entanto estou já com água na boca e desejosa para fazer a receita e provar estes cupcakes que devem ser uma delicia. 


Aqui vai a receita que foi muito pedida na altura, podem ver melhor e com mais fotos de babar AQUI

  • Ingredientes para os Cupcakes:

60gr de Estévia (A Ana comprou a da Canderel)
1/2 iogurte natural
2 ovos
1 laranja 
150gr de farinha
1/2 colher de chá de fermento

Com a ajuda de uma varinha mágica (podem usar um liquidificador) juntar a laranja cortada aos pedaços, os ovos e a Estévia. Passamos tudo muito bem e em seguida juntamos o iogurte, voltando a bater por mais um minuto.

Na taça da batedeira colocamos a farinha e o fermento e após ligar em velocidade média começamos a juntar a mistura líquida.

Quando estiver homogéneo, colocamos o preparado nas formas que já têm as forminhas de papel dentro, e enchemos cerca de 2/3 das formas.

Colocamos no forno, pré-aquecido a 180º, durante cerca de 30 minutos ou até verem que estão cozidos.

  • Para o Icing: 

70gr de manteiga sem sal mole
140 gr de Estévia 
1 colher de sopa de leite
1 vagem de baunilha

Numa taça colocamos a manteiga, a Estévia e as sementes da vagem de baunilha e misturamos muito bem, em seguida colocamos o leite e voltamos a misturar até ganhar consistência de Icing.

Em seguida colocamos no frio por cerca de 30 minutos

Quando os Cupcakes estiverem prontos, esperamos que arrefeçam, retiramos das formas e damos largas a nossa imaginação.

Coloquem frutas para decorar para ser mais saudável. A Ana optou por morangos, mirtilhos, kiwis, cacau puro em pó, colocou, também, bolacha Maria sem açúcar.


Obrigada Sem Espinhas! :-) 







16/07/2014

Para as Grávidas Acamadas ♡




Passar a gravidez inteira ou parte dela de cama desvirtua completamente aquilo que se presume ser um estado de graça, toda a magia, alegria e planos caiem por terra quando se ouve que se tem que fazer repouso absoluto durante toda a gravidez, todos esses sentimentos são substituídos por uma preocupação e angustia constantes de que algo possa acontecer ao bebé aliado ao tédio/tormento de termos que estar confinadas aos escassos metros quadrados que ocupa uma cama. Não é fácil!

Por muita força de vontade que se tenha há dias difíceis, depois de passar algumas semanas deitada começa o desespero e se se pensa no tempo que falta então os dias custam tanto a passar. 

O principal, há que ter paciência, muita paciência

De acordo com a minha experiência, deixo umas dicas para que os dias se tornem menos penosos e tudo seja mais fácil e melhor, espero que úteis e que ajudem:

- Pedir ajuda: no meu caso e por causa da baby M. a minha mãe veio morar cá para casa, gerir, uma bebé, à data do descolamento, com 13 meses, uma acamada e toda uma casa, tornou-se tarefa complicada só para o A., portanto, há que pedir ajuda à mãe, à sogra, à irmã, à cunhada, prima, amiga, a quem quer que seja; 

- Cama articulada: a cama articulada dá um conforto superior ao da nossa cama, o facto de subir e descer em altura, levantar e deitar as costas faz com que sejam feitos menos movimentos, e não passamos o dia inteiro a ajeitar as almofadas nas costas como tem que se fazer constantemente quando se está na cama do quarto, caso haja espaço, aconselho a por a cama articulada na sala, a sala é onde se passa mais tempo e onde tudo acontece, passamos muito menos tempo sozinhas com esta opção; 

- Trabalhar: tive a sorte da minha empresa permitir que trabalhasse a partir de casa e trabalhei até ao dia em que o V. nasceu, no entanto sei que nem todas as entidades patronais permitem esta situação, mas deve tentar-se conseguir esta possibilidade, o facto de trabalhar faz-nos sentir úteis e principalmente ocupadas; 

- Navegar pela Internet: Pegar num portátil e navegar à procura de informação, para falar com amigos e familiares, enviar emails, ordenar aquelas fotografias há muito desarrumadas, ler notícias, comprar o enxoval do bebé, etc...;

- Cozer/Bordar/Croche- Quem não sabe, esta poderá ser a altura para aprender, além de entreter pode fazer-se um enxoval com alguma peças personalizadas para o bebé;

- Desenhar/Pintar: despertar o Picasso que está dentro de nós;

- Tentar participar em algumas tarefas domesticas: sim é possível, dobrar meias e cuecas :-) descascar legumes, fazer as compras online, organizar a ementa semanal; 

- Ler: revistas, os livros em atraso até porque depois do bebé nascer fica mais difícil ler quanto se desejaria;

- Pôr filmes e séries em dia;

- Fazer Jogos: no papel, no telefone, em consola, de preferência jogos de memória para ajudar a mente que com a gravidez se torna preguiçosa e distraída;

- Escrever: uma carta, um diário, um blogue :-) vai ser bom recordar e mostrar ao bebé. Foi assim que nasceu o meu blogue que me ajudou TANTO; 

- Para quem tem filhos: tirar todos uns dias um bocadinho do dia só para ele, ver um filme, fazer um desenho, fazer uma sesta, qualquer coisa desde que seja algo só mãe e filho;

- Receber visitas: uma lufada de ar fresco, mas fica o aviso, nem todos os familiares e amigos vão tirar um bocadinho do seu tempo para o fazer, mas não há que ficar triste, há que perceber que cada um tem a sua vida;

- Exercício físico: Por incrível que pareça a sensação de cansaço aumenta muito, os músculos, o coração e os pulmões têm menos uso, logo ficam mais preguiçosos, num das muitas estadias no hospital fiz fisioterapia e aprendi a fazer exercícios na cama, há que falar com o médico assistente e perguntar se se pode fazer algum tipo de alongamento ou exercício que ajude quer à circulação quer aos músculos. 

- Beber muita muita água para evitar a prisão de ventre: Ficar deitada o dia inteiro pode reduzir o ritmo da digestão e prender ainda mais o intestino; 

- Tentar manter os mesmos horários de sono: Evitar dormir muito durante o dia é preferível fazer uma sesta depois de almoço para evitar que se passe parte da noite em claro. Não dormia durante o dia mas mesmo assim passava a noite em claro, baby V. adorava noitadas;

- Falar: Eu passava muito tempo sozinha e havia dias que tinha muita necessidade de falar, também havia dias que não me apetecia dizer nada, mas é importante falar do que sentimos;

- Tentar manter sempre um sorriso e boa disposição, até porque esta aventura vai ter um final feliz.

Repito, não são dias fáceis, mas há que evitar fazer todos os dias a mesma coisa, tentar que os dias sejam diferentes, dentro do possível tentar desfrutar ao máximo deste tempo e pensar que cada dia que passa é um dia a menos para ver a cara do bebé e para tê-lo nos braços.

A todas as mães que presentemente se encontrem nesta situação um bj do tamanho do mundo e força, muita força. 

15/07/2014

Num turbilhão


Exames feitos, agora, aguardar resultados.

Já quase há um mês que não ia aquela casa, no caminho sentia-me esquisita, ao entrar a porta daquele hospital um rewind de 7 meses que passou em segundos na minha cabeça e de repente um turbilhão de sentimentos que me deu vontade quer de chorar quer de rir.

Entrei "em casa" e automaticamente a minha mão direita vai em direcção à barriga e num gesto rápido esta mão que ganha vida própria afaga agora uma barriga vazia, uma sensação de alivio com saudosismo, a realidade é que, e apesar de tudo, já tenho tantas saudades da minha barriga, a realidade é que, e apesar de tudo continuo a dizer que adoro estar grávida. 

Sentada a aguardar a minha vez para um dos exames, e enquanto me tento acalmar para tentar decifrar tudo o que estava a sentir, começo a ler uma mensagem recebida no meu facebook pessoal, uma surpresa tão boa e mais uma vez a minha convicção de que nada acontece por acaso se confirma: 



A L., é uma das enfermeiras que ganhou um cantinho no meu coração, recordo com saudade o sorriso com que entrava pela manhã no meu quarto, sempre com uma palavra de alento, com um gesto de carinho e muitas vezes tempo para me ouvir.

Consigo dizer que vivi bons momentos com as enfermeiras desta que foi a minha segunda casa, não podemos esquecer quem nos trata bem, hoje subi ao 2º piso para as rever, para matar saudades e hoje sai de lá com a sensação que deixei a chave e parti apenas para voltar de visita.

Sai com a sensação que entrei, num turbilhão de sentimentos...

♡♡♡♡

14/07/2014

Sorte, vou encontrar-te amanhã?


Espero que o amuleto by Be Kind funcione :-) 

Sorte! 
Desejem-me sorte!

Amanha é dia de ir à outra casa. 

Amanha é dia de fazer uma carrada de exames e tentar perceber se a bandida da Enterobacter cloacae me deixou de vez.

A ver vamos se volto para casa :-) :-) :-) 

♡♡♡♡

11/07/2014

Jantar vs. Babys


A semana passada tive uma mini experiência do que é ser mãe a tempo inteiro de dois filhos tão pequeninos.

Baby M. esteve com muita tosse e decidi que ficava em casa, respirei fundo e entrei na aventura de estar sozinha com os dois. 

Baby V. que costuma ser um sossego, à imagem da irmã decidiu ser um pirata, baby M. que tem de ter mil olhos em cima porque adora por as suas mãozinhas sapudas por entre as grades do berço do irmão e dar-lhe festinhas com aquela meigueza de elefante teimou em fazê-lo todo o dia.

Ora me virava para um ora me virava para outro, ora chorava um ora chorava o outro, ora queria comer um ora queria comer outro e foi isto tooodddoooooo o dia.

Foi mais complicado do que eu pensava, e eu até me considero uma pessoa muito despachada, mas ficar com os dois com tão pouca diferença de idade é trabalhoso, tudo se consegue mas muita coisa fica para trás ou para mais tarde do que deveria.

Tiro o chapéu às mães que têm um filho mas principalmente àquelas que têm mais do que um filho e decidem ser mãe a tempo inteiro e ficar com os filhos em casa e ainda ter toda uma casa, marido, família..... para cuidar.

E por falar em cuidar, o meu marido ao chegar a casa: o jantar? eu não acredito que tu não fizeste o jantar! 


video


Bom fim de semana 





Bloglovin


Hoje deixo uma dica...

Aderi a esta maravilhosa plataforma ainda antes de criar o blogue, confesso-me uma blogaddict e para mim é sem duvida a melhor plataforma para quem gosta e segue blogues, é de fácil utilização e está muito bem organizada, é quase como se fosse um "jornal" dos nossos blogues preferidos.

Os blogues favoritos ficam colocados em uma única página, em vez de diariamente ter que estar a abrir cada blogue para ver as novidades, basta abrir a página do Bloglovin e ele mostra todos os posts, de todos os blogs que estão na lista de leitura e que foram publicados nesse dia, à medida que se vai lendo os posts estes podem marcar como lidos, assim sabe-se sempre se há um post que ainda não foi lido.

Para além disso, pode ainda activar-se a opção de receber os posts por e-mail, sendo que o Bloglovin irá enviar diariamente um e-mail com links para todos os posts que foram realizados nos blogs que sigo.

Para se seguir os blogs que mais se gosta basta procurar nas barras laterais ou horizontais um ícone do Boglovin para adicionar à lista de leitura.

É só clicar na imagem caso este blogue vá fazer parte da lista de leitura :-)



10/07/2014

À conquista de Baby M.



Primeiro Summer Matchi-Matchi Mãe e Baby M. by Violeta Cor de Rosa


Baby M. não tinha ainda 11 meses quando descobri que baby V. vinha a caminho. 

A minha 1ª reacção não foi a melhor, achava que de alguma forma a estava a trair, achava que não iria ter capacidade de dividir o meu mundo, o meu mundo era ela.

Baby M. estava a começar a dar os primeiros passos, a pronunciar as primeiras palavras, toda ela era mãe, muito mãe, afinal eu era também o seu mundo.

Quando tudo se deu, ao contrário de mim nunca chorou, ao contrario de mim o Mundo dela não desabou com a ausência da mãe, bem resolvida que só ela acabou por encontrar no A. e na minha mãe tudo o que precisava.

À medida que o tempo foi passando passei a ser de alguma forma prescindível na sua vida, no seu dia a dia...

muito tempo de hospital obrigava a que ela me fosse visitar diariamente sob pena de eu rebentar de saudades, ela odiava, pouco ou nada se aproximava da minha cama, era difícil gerir isto, era difícil sentir-me indiferente.

em casa não era muito diferente, também se aproximava da minha cama com alguma dificuldade e quando o fazia era apenas por escassos segundos, com sorte uns minutos e com muita muita sorte deitava-se ao meu lado e quando acontecia eu ganhava o dia. 

Sempre soube e continuou a dizer que eu era a mamã, mas o seu mundo passou a ser o pai e a minha mãe, invejei-os todos os dias muito, tanto mas tanto, queria ser eu a amparar as suas quedas nos primeiros passos que dava, queria ser eu a aconchega-la na hora de dormir, a secar as suas lágrimas quando chorava, mas durante quase 7 meses não fui eu...

Recordo com mágoa um dia, em casa, na sala, e ali mesmo à minha frente caiu e partiu a cabeça, eu assisti do alto da minha cama articulada sem me poder mexer, sem poder acudi-la, o A. e a minha mãe a saírem a correr com uma toalha turca que ensopava o sangue, enquanto eu fiquei sozinha à espera do seu regresso do tamanho de uma ervilha.

Foram muitos meses de um contacto físico parco ou nulo, durante meses pensava muito e ansiava muito pelo dia em que finalmente iria conseguir voltar a pegar nela ao colo outra vez, era esta entre muitas a maior angústia diária, queria voltar a senti-la só minha. 

Todos os dias engendrava e pensava no plano de conquista a fazer após o nascimento do baby V.,  
pensava que iria ser difícil recuperá-la e atormentava-me pensar que ela nunca mais gostasse de mim da mesma forma, não foi preciso por o plano em acção, baby M. afinal de contas nunca esqueceu a mãe, rapidamente conseguimos recuperar o que eu pensava que se havia perdido mas nada se perdeu, baby M. mais inteligente que a mãe apenas se defendeu e bem da ausência da mãe. 

Querer cumprir com o papel de mãe e não conseguir é difícil, de tudo o que passei durante estes longos e difíceis meses o que mais me custou foi sem duvida alguma a privação da minha filha. 



07/07/2014

Ser Advogada vs. ser Mãe

Sou advogada de profissão, não de coração mas de profissão, gostava muito de ter um projecto meu as ideias estão cá mas a coragem não, talvez um dia...


Estive durante quase 8 anos integrada numa pequena (de dimensão) grande (em trabalho e reconhecimento) sociedade de advogados. 

Passados poucos meses da M. nascer fui dispensada, os motivos: estávamos em crise, profissionalmente deixei de corresponder às expectativas e os horários que passei a fazer desde que a M. nasceu não eram compatíveis com os horários praticados na sociedade. Tive muita pena, custou-me muito, foram 8 anos da minha vida e o ambiente daquela sociedade era atípico, 90% mulheres e todas a darem-se muito bem é quase uma proeza.


A proposta que me foi feita não era de uma dispensa imediata, sairia assim que estivesse preparada para o fazer sem prazos e sem pressas, mas nada me fazia sentido e numa semana sai e abracei o projecto onde estou actualmente inserida.



Quando fiquei grávida da M. sabia que a licença de maternidade que tinha direito a usufruir era de apenas 1 mês, juntei férias e uns dias sem remuneração e consegui estender para 2 meses.

Deixa-la com 2 meses, foi horrível, fui descansada porque ficou com o A. que tirou a licença por completo e se fartou de gozar a filha, mas por muito que me quisesse abstrair de 3 em 3 horas as maminhas davam sinal e lá ia eu de bomba em punho tirar leite para a casa de banho. 

Toda esta situação, e talvez esteja a exagerar, mas para mim roça o cruel, o desumano, e não deveria ser permitida qualquer que seja a profissão, a realidade é que as advogadas não têm direito a licença de maternidade, e as que decidem gozar mais tempo do que 1 mês, o típico em todas as sociedades de advogados, ficam sem direito a qualquer remuneração. 

Apesar da Segurança Social ter um regime que garante protecção no caso da maternidade, este regime não inclui as mães advogadas já que nós nos continuamos a reger pelo regime da Caixa de Previdência de Advogados e Solicitadores, contudo, o único beneficio que a CPAS prevê especificamente para as mães é o subsidio de maternidade e o subsidio de nascimento, que face ao parco valor corresponde exactamente ao valor necessário para usufruir de apenas 1 mês de licença. 

Há profissões difíceis de conciliar com a maternidade, a advocacia é sem duvida uma delas, das duas uma ou exercemos o papel de mãe em pleno e não somos remuneradas e de futuro sofremos na pele as represálias da "entidade patronal", isto claro, se houver a possibilidade de voltar ou exercemos o papel de profissional em pleno e os filhos ficam para segundo plano ao cuidado de uma avó se for reformada, de uma ama se houver disponibilidade financeira para isso ou então na escola com a ressalva de que têm que ter 4 meses no mínimo para serem aceites.

Viva os recibos verdes e as profissões liberais que de liberal só mesmo o nome, não estivesse eu sujeita na mesma a horários e ordens superiores. 

Do V. felizmente as coisas estão a ser diferentes, (já tinha referido aqui a sorte que tenho tido neste projecto onde estou inserida e do qual estou a gostar bastante), vou ter a possibilidade de ficar 4 meses a lamber a minha cria, pode parecer pouco, mas mais dois meses faz muita diferença, vou ter a possibilidade de usufruir mais este bebé, serão com certeza 4 meses muitos felizes e acho que os merecia :-)









01/07/2014

O Blogue

Este blogue nasceu no seguimento de uma fase muito complicada da minha vida, tinha a necessidade de partilhar momentos, desabafos e estados de espírito daquilo que estava a viver. 

Ajudou e muito, muito mesmo. 

Primeiro distraiu-me, depois apaixonou-me e por fim viciou-me. 

Começou por ser um blogue "familiar", todas as pessoas que me liam e que fizeram os primeiros likes na minha página de Facebook eram pessoas que eu conhecia, que de alguma foram estão ou fazem parte da minha vida, depois começaram a surgir os primeiros gostos de pessoas que não conheço fisicamente, amigos de amigos, amigos dos que não conheço e por ai fora... por incrível que pareça a maioria das mensagem públicas e privadas e comentários de carinho e alento que recebo são das pessoas que não conheço fisicamente.

Nunca tive como objectivo ter um sem fim de seguidores, um sem fim de likes na página de Facebook ou ir ao programa A minha vida dava um blogue, até porque a minha vida não dava mesmo um blogue, a minha vida não tem nada de outro mundo para contar, é igual à vida de tantas outras pessoas, mas a realidade é que me entusiasmava sempre que via o numero de likes a crescer, ou os comentários a aparecer e o tempo passava de outra forma, de uma forma muito mais feliz.

Depois do baby V. nascer o blogue "morreu" um bocadinho, afinal de contas sempre achei que depois de ele nascer talvez não fizesse sentido continuar, a "alma" do blogue era a Grávida Acamada que se tornou a Mãe do V. e mães bloguers há milhares e como já disse a minha vida não tem nada de diferente para contar.

Mas hoje verifiquei  apenas 524 gostos dos 525 gostos que tinha ontem na página, e fiquei um bocadinho triste, tal como eu previa o blogue perdeu alma. 

Mas e agora que gosto tanto deste meu bebé? e agora que estou viciada nele? 

Agora vou continuar, bem sei que não sou escritora, muito longe disso, nem tão pouco o queria ser porque o que se passa por aqui é real, genuíno, espontâneo, e enquanto esta paixoneta pelo meu blogue continuar por aqui andarei.