24/03/2017

Eles cá... eu lá...

... do outro lado do mundo sozinha.

É este o desafio que se avizinha para os próximos 9 dias.

A dúvida, o medo da saudade, o impacto desta ausência na vida deles, é isto que o meu peito carrega.

Pergunto-me o que lhes irá passar pela cabeça? Como vão gerir os dias sem mim? Vão comer? Vão sentir a minha falta? Vão chorar? Vão dormir? Vão perguntar por mim? Vão suportar a minha ausência com tanta dificuldade como eu?

Hoje enquanto dormirem vou ligar o meu coração ao vosso com um fio invisível e trocar uma parte do vosso coração com o meu, levo o vosso cheiro e o toque da vossa pele.

Sempre que sentirmos saudades uns dos outros, vamos fechar os olhos e imaginar que estamos abraçados e quando falarmos ao telefone vou perguntar-vos se sentiram o meu abraço como eu vou sentir os vossos.

Eu vou para o outro lado do mundo mas o meu mundo fica aqui.


Até já meus amores. ♥️

♥️♥️♥️♥️

11 anos de Nós ♥️



Foi (ontem) há 11 anos atrás que alguém tirou esta fotografia e embora pareça revelar alguma coisa, na realidade ela não revela absolutamente nada, porque aquilo que aqui parece supostamente óbvio na realidade e na altura não o era. 

Não era óbvio que eu viria a casar contigo e muito menos óbvio que virias a ser o Pai dos meus filhos.

De "mundos" e com uma forma de estar na vida diferentes, ficarmos juntos era altamente improvável.

Brincava no outro dia a minha querida C. C. a propósito de uma crónica sobre a Amadora e das pessoas que ali moram que a nossa história dava toda uma crónica, toda uma short story que ela própria contruiu:

"Ela frequentava as pastelarias da Avª da igreja, ele bebia bejecas na praça da igreja; ela ia comprar vegetais ao mercado 31 de Janeiro, ele ia comprar substâncias ilícitas ao 6 de Maio (Atenção isto é humor, HUMOR); ela comprava na Guerra Junqueiro, ele comprava nos Guerreiros (private para quem é da Amadora), ainda assim foram felizes para sempre!"

E até somos, à nossa maneira, se calhar há dias em que me apetecia começar a receber a pensão de viuvez uns 50 anos mais cedo, assim como há dias que se me aparece o Clooney, o Beckham, o Pitt ou o Ronaldo te enganava, mas também há outros em que claramente assumo que a minha vida sem ti não fazia sentido.

♥️♥️♥️♥️

21/03/2017

Três Anos de Blog!


Porquê que tens um Blog?

Perguntam-me tantas vezes!

Explico sempre que não nasceu porque estava na moda, e eu queria entrar nela, ou porque simplesmente achava que podia ser giro ter um blog. 

Este blog nasceu de uma necessidade física e psicológica,  e acho, que ainda hoje, há pessoas que não percebem isso.

A certa altura, achei, que depois do V. nascer acabaria por aos poucos começar a morrer porque achava que não tinha palavras suficientes para o manter, mas a vontade de o alimentar cresce em cada partilha que faço e sem dar por ela acabo por chegar aqui, a três anos deste blog. 

Confesso que sei que não tenho nada de novo a acrescentar a este mundo da blogosfera, no limite as minhas partilhas podem vestir a pele de alguém, proporcionar um sorriso ou até, arrisco, arrancar um suspiro, mas pouco mais que isso. 

Mas há uma coisa que eu tenho a certeza que vou acrescentar, vou acrescentar palavras e memórias na vida dos meus filhos, palavras e memórias onde eles consigam encontrar quem somos e como fomos um dia, palavras e memórias que procuro eternizar.

Enquanto eu tiver esta vontade de enriquecer a vida dos meus filhos com palavras e memórias, esta vontade de fazer delas como que uma herança, este blog vai com toda a certeza continuar a existir. ♥️

Obrigada por alimentarem esta minha vontade!

♥️♥️♥️♥️

Podem ler também:

08/03/2017

Conheces alguém...

- Que aos 18 anos use fraldas? 

- Que aos 18 anos durma na cama dos Pais? 

- Que aos 18 anos beba biberão? 

- Que aos 18 anos queira chucha? 

Perguntava eu a uma amiga que comentava comigo que o filho de 4 anos ainda bebia leite no biberão e usava fralda para dormir. 

Ai também és dessas? - perguntava-me ela.

Sim também sou dessas que me estou completamente a borrifar para os timings "supostamente" certos. 

Cada criança tem o seu! 

♥️♥️♥️♥️

07/03/2017

Ainda sobre o Pipi!

No seguimento deste post, recebi alguns emails e mensagens com o mais variadíssimo teor e conclui que há ainda muitas mulheres a sofrer de problemas no Pavimento Pélvico mas que por vergonha ou falta de conhecimento nada fazem.

Ainda no seguimento desse post conheci a Fisioterapeuta Catarina Cabrita especialista de fisioterapia na Saúde da Mulher, que acompanha uma amiga profissional de saúde que após dois partos difíceis recorreu aos seus cuidados e que me falou do quanto era competente e profissional e eu não hesitei em convida-lá para escrever este post com a finalidade de dar resposta e quem sabe ajuda, a quem me escreveu.

E a Fisioterapeuta Catarina Cabrita presentou-nos a todas com esta maravilhosa explicação que espero que seja útil e inspiradora:

A Fisioterapia Uro-ginecológica (ou Fisioterapia da Saúde da Mulher, ou Reabilitação Perineal) é uma área da fisioterapia que visa avaliar, prevenir e tratar disfunções que surjam no Pavimento Pélvico (PP) durante a vida da mulher.

Desde que comecei a trabalhar nesta área em concreto, quando me perguntam o que faço a reação é (quase) sempre: “O quê?! A fisioterapia faz isso?”, E de facto é uma área que tem vindo a crescer em Portugal mas que ainda tem muitos tabus e barreiras a quebrar para que as mulheres recorram a ajuda especializada quando se encontram com disfunções pélvicas.

Por exemplo, quando uma mulher sente uma perda de urina, seja ela muito ligeira ou enorme, a tendência é pensar para consigo: “É normal, estou grávida!”, “É normal, tive um bebé há tão pouco tempo…”, “É normal, já tenho idade para estas coisas…” Mas NÃO É NORMAL! Isto pode ocorrer porque o seu Pavimento Pélvico não está a funcionar em perfeitas condições.

Mas e então o que é isto do Pavimento Pélvico?

O Pavimento Pélvico ou Períneo é um grupo muscular localizado na região pélvica (desde o púbis até ao cóccix) de homens e de mulheres. Ele suporta o peso de todos os órgãos pélvicos e abdominais e mantém-nos no seu lugar quando o corpo é sujeito a aumento de pressão abdominal (por exemplo: tosse, espirro ou riso) ou a um grande impacto (como acontece durante um salto ou uma corrida). No caso das mulheres em específico, o Pavimento Pélvico tem outros desafios pela frente: a Gravidez (onde lhe é pedido que suporte também o peso do bebé, do útero, do líquido amniótico, da placenta) e o Parto Vaginal (em que ocorre um esforço enorme do períneo e onde pode ser necessária uma episiotomia – corte realizado no períneo para ampliar o canal vaginal). Imagine só a exigência pedida a um grupo muscular que se calhar a maioria das pessoas nem dá assim tanta importância!

No caso da mulher, podemos visualizar o Períneo como um “8”, sendo que o círculo de cima envolve a abertura da vagina e da uretra e o círculo de baixo envolve a abertura do ânus (ver imagem). É então um protagonista no que diz respeito ao controlo dos esfíncteres.




Pede-se a um períneo saudável que seja forte, resistente e que tenha elasticidade, no entanto, ao longo da vida – pela idade, exercício físico de alto impacto, falta de exercícios específicos, gravidez, parto – os músculos do períneo vão cedendo e a rede de suporte vai ficando cada vez mais fraca, e podem aparecer problemas de incontinência urinária e/ou fecal, prolapsos da bexiga ou do útero… É por isso muito importante tomar conta dele durante toda a vida!

As disfunções que podem afetar o Pavimento Pélvico podem ser:
  • Incontinência urinária (de esforço, urgência ou mista)
  • Disfunções Sexuais (dor/dispareunia, vaginismo, vulvodinia, disfunção orgásmica…)
  •  Prolapsos viscerais (“queda das vísceras: bexiga, útero ou reto”)
  • Disfunções Fecais
  • Pré e pós-cirúrgico (uro ginecológicas, prostatectomia, hemorroidectomia…)

Há muito a dizer sobre o Pavimento Pélvico, mas para resumir estas são as suas principais funções durante a nossa vida:
  • Suporta os órgãos da região pélvica e abdominal;
  • Suporta o peso do bebé durante a gravidez;
  • É responsável pelo encerramento dos esfíncteres da uretra e do ânus, prevenindo Incontinência Urinária e/ou fecal;
  • Suporta a bexiga, o ânus e a vagina, prevenindo prolapsos da bexiga ou do útero;
  • Para além disto, um períneo forte e saudável reduz os riscos de rutura muscular do mesmo durante o parto, torna a recuperação pós-parto mais rápida e melhora a qualidade da vida sexual.

É por estas razões e pelos desafios que o Períneo da mulher enfrenta ao longo de toda a sua vida que é tão importante treinarmos os músculos do pavimento pélvico, de forma correta, desde sempre e para sempre!

Se tiver alguma dúvida sobre prevenção ou tratamento de alguma disfunção do Pavimento Pélvico procure ajuda de um(a) Fisioterapeuta especializado(a) em Saúde da Mulher, ele(a) saberá como ajudá-la!

Fisioterapeuta Catarina Cabrita
Tel: 916348018

Muito Obrigada Catarina ♥️

♥️♥️♥️♥️

01/03/2017

Porquê? Mas porquê?

Hoje escrevo este post para um dia mais tarde me lembrar que o V. está neste momento na hilariante fase dos porquê’s e questiono-me se não está este menino a ser precoce quanto a este assunto.

A M. também teve uma fase destas (ainda tem e estou em crer que vai ter sempre, assim como ele) mas não com o fervor com que o V. a está a passar e com pena não me recordo quando a começou.

- V., veste o casaco.

- Puquê?

- Está frio.

- Puquê?

- Porque estamos no Inverno.

- Puquê?

Tento explicar as 4 estações de forma a que uma criança de 2 anos entenda, mas não resulta, em cada afirmação minha surge um porquê e confesso que com ele está a dar luta e está a ser um desafio, não se convence nem se contenta facilmente.

Porquê? Porquê? Porquê?

Sei que não o faz com a intenção de querer ser “chato” ou porque não ouviu todas as respostas que dei aos seus porquê´s, já percebi e já sei que o faz porque quer perceber-se a si mesmo, perceber os outros, perceber a forma de agir e de funcionamento das coisas, basicamente, quer perceber tudo ou quase tudo que o rodeia.

Procuro ter sabedoria para responder de forma eficaz e esclarecedora aos seus porquê´s, mas essencialmente procuro ter paciência, que ao fim de muitos porquê´s começa a escassear.

Enquanto conduzo:

- Mãe, pára o carro.

- Não posso parar aqui.

- Puquê?

- É proibido.

- Puquê?

- Os policias não deixam.

- Puquê? Xão maus?

- Não.

- Então pára o carro.

- Não posso.

- Puquê?

Haja imaginação mas… voltando à paciência, (e que me aponte o dedo a Mãe que já não perdeu a paciência com os porquê's e que acabou com um: Porquê Não! para acabar a conversa), é necessário manter a calma e permanecer o mais serena possível para que ele não perca a confiança de me continuar a questionar com os seus porquê’s e continuar o seu processo de aprendizagem e descoberta junto de mim.  

Por isso:
  • Tento evitar o silêncio ou ignorá-los e procuro ouvir com atenção e responder sempre com imenso interesse a todos os porquê's;
  • Quando não sei a resposta digo convicta que não sei e tento transmitir que não saber tudo não é um problema e sugiro que juntos vamos tentar responder à pergunta;
  • Não critico os porquê´s, nem faço deles um tabu e tento dar respostas adequadas à idade e maturidade deles;
  • À excepção do Pai Natal e da Fada dos Dentes (vá também temos que dar alguma magia à infância) tento não elaborar respostas “fantasia” para que um dia mais tarde não me acusem de ser uma grande mentirosa;
  • Tento (e aqui às vezes não consigo) não dar a resposta antes da pergunta que já sei qual vai ser.

E vocês? Como "se safam" desta fase dos porquê´s dos vossos filhos? 

♥️♥️♥️♥️

20/02/2017

Vamos falar de pipis?

Quando me pediram para escrever sobre este assunto não hesitei...

Passado um tempo de ter ficado grávida da M. decidi começar a fazer ginástica pré parto e comecei a ouvir falar em assuntos sobre os quais nunca tinha antes pensado tais como a necessidade do fortalecimento do pavimento pélvico.

- "Procurem na net tudo sobre Kegel"
- "Imaginem que introduzem o dedo no pipi e agora comprimam o dedo"
- "Agora vão para casa e treinem enquanto estão a ver televisão"

Era desta forma que era explicada a forma de fazer alguns exercícios o que por vezes resultava para algumas mulheres em risinhos pequeninos, duvidas para outras e constrangimento para tantas.

A questão é que o desenvolvimento deste conjunto de músculos é muito mais importante do que parece e não só durante a gravidez, porque este é um conjunto de músculos que suporta todos os órgãos reprodutores e de função urinária. 

Sabiam que, os desportos de alto impacto, o envelhecimento, a gravidez e o parto, ou até mesmo ficarem sentadas ao computador durante todo o dia, são factores que podem contribuir para o enfraquecimento do pavimento pélvico? 

E sabiam que o enfraquecimento do pavimento pélvico pode resultar em incontinência urinária, descida dos orgãos como a bexiga, recto ou útero ou até mesmo a perda de desejo sexual?

Mas eis que surge o Elvie que veio revolucionar não só os exercícios do pavimento pélvico mas também a forma de os realizar.



O Elvie é inserido como um tampão e liga-se à app através do Bluetooth. 

O sistema patenteado de sensores de movimento e força do Elvie medem o movimento dos músculos do pavimento pélvico e a app permite-lhe ainda visualizar os exercícios, monitorizar o seu progresso e corrigir a sua técnica em tempo real. 



Cada exercício de cinco minutos, foi concebido por peritos da Imperial College London e da Universidade de Oxford e são recomendados por fisioterapeutas, obstetras e PT de todo o mundo.

O facto de ser ergonómico, discreto e portátil permite que faça facilmente parte da rotina de qualquer mulher, em particular, das Mães que experienciam partos difíceis que lhes trazem mazelas físicas que interferem em particular com a vida sexual.

Um grande uauuuuuuu para o Elvie que vem sem dúvida facilitar e desmistificar este assunto!

P. s. Fiquem atentas em breve terei um para oferecer.

♥️♥️♥️♥️

17/02/2017

As Mães de hoje...

A minha Mãe mal lê o meu blog.

Diz que, por não ser adepta das novas tecnologias não o faz de forma diária e que o lê quando calha ou quando se lembra, e que depois lê todos os posts de uma só vez. 

Às vezes pergunto-lhe o que acha, encolhe os ombros, não comenta, quase que arrisco a dizer que não acha piadinha nenhuma ao blog nem ao que escrevo.

O pouco que comenta, diz não concordar com esta nova forma de encarar a maternidade, que as Mães de hoje são complicadas, são picuinhas, são estupidamente competitivas entre si.

E pergunto-lhe como era ser Mãe na altura em que foi, aparentemente, no passado, as Mães cobravam-se menos, eram, talvez, menos complicadas, não havia qualquer tipo de competição entre si, e que eu não posso falar muito porque eu não sei o que é lavar fraldas à mão, além disso as Mães de hoje, têm acesso a mais informação e até têm a vida bem mais facilitada porque antes não existiam fraldas descartáveis ou papinhas prontas.

É verdade que temos mais informação, é verdade que existem papinhas prontas e também é verdade que existem fraldas descartáveis.

Mas eu sou uma Mãe de hoje e para compensar, nos dias de hoje temos uma pressão sobre as múltiplas facetas da identidade feminina e quase que arrisco a dizer que o que nos rodeia agora é muito mais complexo, as Mães de hoje que são como que “esmagadas”, têm que dar conta dos filhos, do marido, da casa e ainda ser bem sucedidas no trabalho, as Mães de hoje que têm que trabalhar porque lhes é cobrada a obrigatoriedade da contribuição financeira na casa e por outro lado, algumas são acusadas de abandonar a família em busca de uma carreira, as Mães de hoje sujeitas a muitas cobranças, diversas funções simultâneas, sejam elas entre trabalhos domésticos, vida profissional, vida familiar, o marido, os filhos e os amigos, as Mães de hoje que vivem neste conflito, as Mães de hoje a quem são cobrados padrões estéticos, socias e até sexuais, as Mães  de hoje que desejam ser uma mistura de Barbie, Mãe do Ruca e Profissional de sucesso, uma verdadeira façanha quase impossível de  acontecer, as Mães de hoje que vivem na/e com culpa, culpa essa que as faz cometer erros em relação à educação dos filhos, as Mães  de hoje que são autenticas Mãelabaristas para conseguirem atender a todas as exigências do dia a dia, as Mães  de hoje que se esquecem de ouvir a elas próprias, as Mães de hoje que querem chegar a todo o lado e que se recusam a aceitar as suas limitações.

É verdade Mãe, nunca lavei fraldas à mão!

♥️♥️♥️♥️

14/02/2017

Feliz dia dos Namorados ♥️

Maridos, namorados, companheiros e amigos coloridos, o que é que estão a pensar a esta hora? 

Nos presentes? Nos jantar? Nos hóteis? Nas flores? Nos peluches? 

Desejosos por esta noite aposto.

Ou ainda estão a pensar que têm uma grande bota para descalçar? 

- Querida, surgiu aqui no trabalho um relatório de última hora chego mais tarde! 

- Amor, o Zé sentiu-se mal vou ter que o ir levar a casa!

- Fofinha, acreditas que me deixaram fechado no escritório! 

- Amorzinho, tu não vais acreditar nisto?! Chegou o Director Geral da China e vou ter que ir jantar com ele! 

Ajudei na tanga?! 

Como é que afinal vão dividir esse: "És o nosso grande amor"(gritado em voz cavernosa) com o vosso (este sim verdadeiro) Amor (susurrado baixinho)? 

Mulheres de Benfiquistas como é que vai ser hoje? Verdade ou consequência?

Estou solidária! 

♥️♥️♥️♥️

13/02/2017

Mas a M. ainda usa chucha?!



A M., à excepção da escola (que não o permitia), sempre fez uso livre da chucha.

Em Novembro do ano passado, no dia em que a M. fez 4 anos, decidi marcar este dia com a primeira foto que lhe tirará, que por acaso foi com chucha.

Surgiram alguns comentários como: "Mas ainda usa chucha?!" e surgiu o pedido da D. que me pediu que escrevesse sobre isto do uso da chucha pois a sua filha C. também estaria perto de fazer 4 anos e também estava dependente do uso da chucha.

Como em tudo na maternidade este é um assunto em que há opiniões diversas e começa logo assim que o bebé nasce: 

- "Não lhe ofereças chucha enquanto não souber mamar". 

- "A chucha deve ser reservada para os momentos em que o bebé a solicitar para se tranquilizar como para adormecer ou quando está mais aborrecido ou doente".

- "A partir dos 18 meses de idade o seu uso deve restringir-se à hora de dormir".

- A partir dos 2 anos e meio/3 anos no máximo a criança já não deverá usar chucha. 

E se a criança ultrapassar todos estes supostos limites?

- Vai ficar com os dentes todos tortos!

- Isso vai ter implicações ao nível da fala!

- Ai que feio uma menina TÃO GRANDE a usar chucha!  

- O seu processo de autonomia será mais lento!

Confesso que a M. fazer uso de chucha com 4 anos, não era uma situação que me agradasse, mas não fazia disto um cavalo de batalha, recusava recorrer a qualquer tipo de humilhação ou proibição, comparação com o V., fazer da chucha moeda de troca como a história do Pai Natal, fazer propositadamente um buraco para que não lhe soubesse bem evitando a todo o custo causar-lhe qualquer tipo de frustração com este assunto. 

Não queria correr o risco de que ela fosse em busca de alternativas como chuchar no dedo, optei antes por não forçar o processo e começar a prepará-la psicologicamente para o adeus à chucha. 

Comecei por lhe dizer que já fazia bolos comigo, que ajudava a por a mesa, que fazia recados na escola à Professora e que isso fazia dela uma crescida, que já estava a começar a aprender os números e as letras, que já dizia palavras em Inglês e que está quase quase a começar a aprender a ler e a escrever e que se calhar devia começar a pensar em dizer adeus à chucha. 

Este foi um processo de mentalização diária, levado com muita calma, não vale olhar para as crianças como adultos em ponto pequeno, porque não o são. O processo de mentalização leva tempo, assim como a criação de rotinas também leva tempo, e o tempo dela acabou por chegar...

no dia 25 de Dezembro quando a fui deitar ela olhou para mim e disse-me de modo natural, convicto e convencido:

- Mãe, já não quero usar mais chucha!

e nunca mais usou, e nunca mais perguntou, e nunca mais quis saber da sua chucha.

O adeus à chucha é um processo natural e vai acontecer, mais tarde ou mais cedo.

O nosso aconteceu talvez mais tarde do que é suposto mas aconteceu sem choros, sem birras, sem frustrações e exigências,

Esperar é uma virtude, também para nós Pais.♥️

♥️♥️♥️♥️

07/02/2017

Para ti MÃE de 1ª viagem!

Querida Mãe de 1ª viagem,

Ainda me lembro quando estava no teu lugar, dos medos, dos receios, das dúvidas, dos “ses ”...

Sim, tal como tu, também tinha essa necessidade de saber todas as estatísticas e explicações para o valor de cada exame e cada análise, mas acredita, basta saberes que está tudo a correr bem, confiar no Médico que te acompanha e deixar para ti assuntos como, a decoração do quarto e guardares a Médica e Enfermeira que há em ti para quando o bebé nascer.

Vive a tua gravidez com serenidade, longe de perguntas, de medos e do Dr. Google.

Controla essa tendência de querer planear tudo, o dia em que o bebé vai nascer, o tipo de parto, a amamentação em exclusivo, não te preocupes com isso do desconhecido, há coisas que só sabemos depois de acontecerem, deixa os dias acontecerem, um a seguir ao outro, um de cada vez.

Vais ter medo, da dor, do parto, da amamentação, das noites mal dormidas, da exaustão e da responsabilidade de ter de cuidar de alguém 24h por dia para o resto da tua vida.

E quando um dia deres por ti, atrás de uma porta de casa de banho a chorar, e sem saber porquê, não fiques preocupada, acredites ou não, faz parte e é normal. Aos poucos, as coisas vão entrando nos eixos, começas a criar a tua/vossa rotina, vais conseguir tirar o pijama, tomar banho, dormir 3 horas seguidas, e responder a perguntas básicas como: Como é que te chamas?

Não acredites que vais ter dificuldades para cuidar do teu bebé ou para manter a tua sanidade no turbilhão que é (sim não é mito, é mesmo!) ter um bebé em casa, pois existe uma coisa chamada instinto que nunca te vai falhar e que se vai manifestar em TODOS os momentos que precisares.

Também vais morder a língua, todas nós mordemos em algum momento, mas também está tudo bem, até porque não te podes nem te deves cobrar nunca, assim como não deves ler tudo o que existe, nem absorver tudo o que ouves sob pena de enlouqueceres com tanta opinião, conceitos e valores que tantas vezes nem vestem a tua pele, mas como a vizinha fez também vou fazer. 

Não vais nada! 

Tenha a certeza que tu vais construir a tua própria maneira de levar a maternidade e acredita, que será única, pessoal e intransmissível.

Ah sim, claro que vais andar cansada, aliás, esgotada é o termo mais apropriado, e se deres por ti a perguntar-te: “O que eu fui fazer da minha vida?” também é normal. 

Vais conseguir superar os dias difíceis, e saborear os bons, até porque, quando aquele gordo mais querido cor de rosa solta um gemido e encosta a sua mão minúscula de pele macia e cheirosa na tua pele, o teu mundo vai parar e vais esquecer tudo ali, naquele momento.

O tal amor arrebatador incondicional encantador total absoluto e integro que tudo explica é o único sentido de toda esta experiência.

E lembra-te as horas podem parecer muito longas, os dias podem parecer muito tempo, mas confia em mim quando eu digo, os anos são curtos e é mesmo, mas mesmo verdade, que passa e crescem num instante. 

Boa viagem!

Vais ser capaz ♥️ 

♥️♥️♥️♥️

06/02/2017

Vamos falar de PMA? (Procriação Medicamente Assistida)

Antes de conseguir engravidar pela 1ª vez, o que demorou quase um ano, achei que engravidar iria ser de facto um problema para mim. 

Depois engravidei uma vez, e perdi o bebé, depois engravidei a segunda vez e voltei a perder o bebé, até que pela terceira vez engravidei da M. e da quarta vez do V. 

Durante todo este processo de tentar engravidar e de engravidar e perder os bebés, em algum momento pensei que talvez pudesse ter um problema de infertilidade. 

Arrisco a dizer, que esta é uma questão que muitas mulheres colocam antes de começarem e quando estão a tentar engravidar. 

A realidade é que este acabou por não ser um problema para mim (tive outros), mas foi, e é, para amigas que me são próximas.

Da experiência que tenho, felizmente parca, sobre este assunto, este continua a ser um assunto tabu para muitas mulheres e não o deveria ser...

A IVI  (já falei AQUI sobre o Instituto Valenciano de Infertilidade), no seguimento da nova lei de PMA que permite que todas mulheres tenham acesso a tratamentos de fertilidade, AMANHÃ dia 07/02/2017 pelas 19H00 às 20H30, vão organizar uma sessão de esclarecimento no IVI Lisboa. 

A entrada é livre, mas os lugares são limitados.

Inscreva-se e partilhe!


                               

E nunca, nunca, nunca, nunca, nunca, desistam!

♥️♥️♥️♥️

26/01/2017

Eu não me chamo MÃE!

A partir do momento em que aqueles dois traços apareceram deixei de ter nome. 

Começou logo nas primeiras consultas em que lentamente as Enfermeiras me começaram a baptizar ainda que a medo: a Mãe está de quantas semanas? 

As primeiras vezes achei imensa graça e esboçava um enorme sorriso para aquele que iria ser o meu novo estatuto, MÃE!

Depois a barriga vai crescendo, e vai crescendo também a confiança das Enfermeiras: Ó MÃE esse peso está acima do que é suposto! dos Médicos: Ó MÃE isso do sushi é que nem pensar! dos Farmacêuticos: Ó MÃE o seu médico receitou isto? dos Formadores de Pré Parto: Ó MÃE vai dar de mamar certo? dos Professores de Ginástica: Vamos embora MÃE, ou não está já mortinha para por um biquíni? dos Directores das Escolas: Ó MÃE não se preocupe que se houver vaga nós ligamos!

E sem saber ler nem escrever e ainda sem ter um filho nos braços, estou empossada de um verdadeiro estatuto e baptizada com um novo nome, MÃE! 

Chega o dia do parto e... agora sim, depois de 15 horas de trabalho de parto, de bufar e me contorcer com dores: ah Valente! Muito bem! Parabéns MÃE! meia atordoada (deve ter sido do clister) é a primeira coisa que oiço ainda antes de ela chorar! 

Depois vêm as Enfermeiras outra vez com aquela conversa que o meu A. às vezes também faz: Ó MÃE deixe-me lá ver essas mamocas! Se não tivesse sido cesariana, presumo que também dissesse: Ó MÃE deixe-me lá ver esse pipi! Really?! Sounds weird! 

Mas, ainda mais weird, very weird, e que, verdadeiramente me encanita (adoro encanita), são os casais que depois de serem pais se começam a tratar por MÃE e PAI! Ó MÃE o teu filho está a chorar! Ó MÃE passa-me essa perna de frango assado que tem tão bom aspecto! Ai PAI não faças isso que estão ali os miúdos! Isto não é romântico! Nada mesmo! Acreditem em mim!

E outra coisa que eu adorava, era encontrar a Educadora da minha filha na noite (a do meu filho já me chama pelo nome ufaaa) cada uma de nós com um gin na mão, e queria ver se ela ao som do Love You Better do Crazy White Boy (adoro esta musica) e com cara de “mas esta com dois filhos sai à noite” me conseguia dizer: Olá MÃE, está boa?

Deixem o "Ó MÃE" para os meus filhos, ok? 

♥️♥️♥️♥️

17/01/2017

37 a 17.01.2017


Mas o que é isto de fazer 37 anos?

(A última foto com 36 anos)

é sentir que talvez já tenha amadurecido o suficiente, é saber utilizar o sorriso certo para o momento exacto, é saber que não é com vinagre que se apanham moscas, é não ter o percurso com que sonhei, nem como imaginei, mas ser certamente, igualmente feliz, é ter uma colecção de amigos invejável, é utilizar saltos altos ou andar descalça com a mesma graciosidade, é elogiar muito, agradecer sempre, apreciar vinho tinto, é rir mais do que chorar, é pensar e ponderar antes de agir, é errar menos mas continuar a aprender com os erros, amar com intensidade sem medo de entregas, ter menos ilusões mas sem nunca deixar de sonhar, é ver os primeiros cabelos brancos e as primeiras rugas a aparecer e aprender a lidar com isso, é perceber que tenho menos tempo agora do que antes, mas sobretudo perceber que as marcas deixadas na vida, no corpo e na alma, não começaram aos 37 mas sim ao longo deste "eu" que tenho vindo a construir que me faz ser o que sou. 

37 a 17.01.2017 tem tudo para ser bom!

♥️♥️♥️♥️

09/01/2017

A poucos dias...


de entrar nos 37... 

O ano passado, e pela 1ª vez, fiz boicote ao dia do meu aniversário, primeiro não queria nada, depois quando decidi que queria festejar, tudo o que tentava planear me saia furado, depois desejei que alguém o fizesse por mim, ninguém fez, depois quando voltei a tentar ouvi demasiadas desculpas e "não posso" e acabei por passar a meia noite com 3 pessoas das importantes, e por fim decidi que no dia queria apenas um pijama e uma manta, que estava bom, que era o me que bastava e assim foi! 

Passado uns meses fiquei com a sensação de que não tomei a opção certa e que se calhar devia ter insistido comigo e não me ter deixado levar. 

Hoje, a poucos dias de entrar nos 37 a mesma sensação está a apoderar-se de mim. Mas como é que é possível estar a 3 dos 40? Como é que é possível? quando ainda me sinto presa a uma miúda. quando ainda sinto que falta qualquer coisa. quando ainda sinto que me falta viver tanta coisa. quando ainda há coisas que não me bastam. quando ainda me sinto insatisfeita. quando ainda sinto que não cheguei à minha plenitude. quando ainda sinto que tenho tanto para receber e muito mais para dar. Isto está a passar tudo depressa demais e eu não estou a conseguir acompanhar. Ou serei demasiado ambiciosa ou demasiado insatisfeita?! ou até demasiado complexa?!

Se há uns bons anos atrás me tivessem perguntado como é que eu achava que iria estar a minha vida quando fizesse 37 anos garantidamente que a resposta seria bem diferente de como está a minha vida  agora a ser vivida. 

Confesso-me desiludida com algumas decisões, confesso-me errada com algumas escolhas, assim como me confesso agradavelmente surpreendidas com algumas opções.

E se o ano passado ansiava pela serenidade este ano anseio pela resiliência, não fosse 2017 um ano que se afigura cheio de adversidades que não serão nada mais do que novas oportunidades.

e este ano, não me vou deixar levar!

♥️♥️♥️♥️

03/01/2017

Não vou fazer resoluções...

o dia-a-dia de correria...

o tempo que passa sempre demasiado rápido...

Depois, seguem-se e somam-se os dias, os meses, os anos, uns atrás dos outros e tantas vezes limitamos a nossa existência ao: “esperar”, "adiar", "deixar andar"...

Esperamos por dias melhores, pessoas melhores, vidas melhores ou apenas que qualquer coisa acabe para que depois seja melhor e se consiga.

Adiamos coisas que queríamos fazer porque "agora não é o momento certo" e quem sabe mais tarde, o tal momento certo chegue e ainda bem que se adiou.

Deixamos andar porque agora não conseguimos, não é o tempo de e para, afinal temos medos, receios, não arriscamos, sempre isto do "não é o momento", talvez daqui a um tempo, porque ai sim, vai ser melhor.

Não faço resoluções porque não quero viver com o peso da promessa incumprida, com o sentimento de objectivo falhado e prefiro sim "esperar", "adiar", "deixar andar" mas sempre com a esperança de que tudo vai ser melhor!

❤️❤️❤️❤️

30/12/2016

Em 2016...


…fiz boicote à chegada dos meus 36 anos e enfiei a cabeça na areia como uma avestruz, viajamos os dois sozinhos pela 1ª vez desde que somos pais, vi casar uma das minhas melhores amigas num dia maravilhoso, voltei a mudar de trabalho (sim mais uma vez) e o desafio não podia ter sido mais gratificante e enriquecedor, a festa de aniversário do V. foi memorável, vi nascer a C., a M. e o A. três sobrinhos do coração, a independência da M. fez-se notar, assim como os terrible two do V., continuei a rir mais do que a chorar, fiz nascer outro blog com duas amigas das preferidas mas o tempo não nos dá tréguas, casei o meu Pai, este blog foi considerado por duas vezes um dos melhores blogs de maternidade (ainda me pergunto porquê? E como?), alterei a imagem do blog como tanto desejava, iludi-me, desiludi-me e certamente provoquei o mesmo sentimento em algumas pessoas, percebi que posso fazer mais e melhor e que por vezes não faço o suficiente e como o deveria fazer, tirei uma foto com o Toy e com a Maria Leal, passamos um fim de semana os 4 “pelos caminhos de Portugal”, li meio livro, fui ao cinema ver desenhos animados, fiz um programa de rádio, acabei de vez com as amigdalites, vibrei pela 1ª vez com a Selecção Nacional,  não cresci emocionalmente como queria, senti que por vezes gosto e dou mais do que os outros, não fui  a Mãe que gostaria, deixei-me toldar muitas vezes pela impaciência e cansaço, recuperei amizades e deixei esfriar outras, disse demasiadas vezes “não consigo chegar a todo o lado”, fiz promessas que não cumpri, amei os meus filhos desenfreadamente, ralhei com eles, gritei com o A., não lhe pedi desculpa, disse-lhe menos vezes do que devia que o amo, escrevi muito pouco neste blog, continuei a não conseguir ir à televisão falar sobre o mote deste blog (ainda não perdi a esperança), tive medos e receios assim como fui destemida e acreditei, pela 1ª vez a morte de uma figura pública mexeu comigo, perdi a esperança nos anos pares e transponho-a para o ano impar que ai vem, amuei mais do que devia, fechei-me mais do que a idade devia permitir, mas dentro de toda esta mediocridade fui feliz. 

Feliz 2017!

♥️♥️♥️♥️

26/12/2016

Do Natal...

tenho a dizer, FINALMENTE acabou!

Eu juro...

Eu juro que tento entrar no espírito...

mas o consumismo desenfreado, o rasgar o papel sem olhar com atenção para o que vem embrulhado, o pedir a prenda seguinte enquanto se está a olhar à volta para ver quantas ainda estão por abrir e quantas a si pertencem, os pijamas fofinhos e o pandãns natalicios, os amuos familiares porque se vai para a sogra e não se vai para a Mãe, o almoço é cabrito mas eu preferia peru, a correria, a azafama, o engolir o sonho enquanto se mira as filhoses "estas são boas mas as da minha Avó é que eram as melhores", as expectativas que se criam, há quem goste de lhe chamar magia, eu prefiro chamar treta.

Eu prefiro chamar uma grande TRETA para tudo isto.

Sorry!

Ufa...

♥️♥️♥️♥️